segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

bon voyage

para sarah.
Não se vá agora
não me deixe um adeus pela entrelinhas
nem jogue na cara que não terei seus consolos
   apelos modestos
  desvarios confusos
difusos em um expectativa de algo mais

me dê mais algum tempo
tempo.
mas o que é o tempo?
senão uma medida de distância
contada por tics
tacs
tic
tac
de um relógio enloquecido?

Não se vá agora
espere que eu puxe o pino
do relógio
            pare tudo
            exploda
é só o tempo suficiente para ficar do seu
lado. Não se vá, o tempo é longe demais.

domingo, 28 de novembro de 2010

Espera[ança]

Pode ser que nada seja como você 
espera.
Agora é só esperar para ver

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Mestres d[a] obra

RITO

Cadê o queijo que estava aqui?
O gato comeu.
Gato filha da puta


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HAPPY END

o meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente




Os dois são poemas de Cacaso, li o livro, me encantei e resolvi postar, talvez depois eu poste Millor Fernandes
 (se eu achar o meu livro dele, claro! )

segunda-feira, 8 de novembro de 2010


No restaurante tocando ao fundo uma dessas sinfonias numéricas
de um desses alemães,
tomo delicadamente o meu drink azul
como o Danúbio.
A mulher da mesa vizinha arruma o cabelo compulsivamente
Nervosa
O amante não chega
O marido pode ficar sabendo
Imagina a cara das filhas quando o pai contar que a mãe é uma piranha. Coitadas.
Entra um homem a passos largos no exato momento que o piano grita em lá maior
Tomo o último gole do danúbio
ergo o braço suavemente
e faço o gesto de mais um para o garçom
enquanto ele providencia outro desses para mim 
levanto, dou um tiro para o alto,
acerta o lustre
- pensei que já não tinha mais essa pontaria -
e outro certeiro na moça da mesa vizinha
Isso é para ela aprender a nunca mais trair o marido
Viro para trás, um tiro no rapaz que entrou por último
Isso é para ele aprender a não atrapalhar a música alheia
Sento novamente
mando tocar outra musica
e o meu danúbio chega lindo,
resplandecente, num copo que
parece querer limitar a sua
infinitude, dou o último tiro:
no copo
Isso é para ele aprender a não querer restringir os poderes dos outros
O drink vai escorrendo devagar pela mesa, pelo chão, buscando seu caminho, fazendo seu curso, até a foz, isso quando se mistura ao sangue preso ao tapete: é o encontro dos mares. O danúbio vai de azul a rubro. Eu levanto, deixo uns trocados na mesa. Vou embora.  Vejo bem onde piso, nada de sangue nas minhas solas. Não posso me esquecer de deixar um dinheiro para o pianista e de comprar mais balas.

Lá fora o Danúbio é mais uma vez azul para os apaixonados
Se o que quer é
parecer original,
escreva um poema
pois por mais que
tudo já tenha sido
dito
cem mil vezes
basta
colocar uma vírgula que
o texto alheio
passa a ser
paráfrase

Observação: tente colocar uma vírgula entre o sido e o dito, ou entre o dito e cem. E leia novamente. Divirta-se